Araguaia – Uma aula de interpretação

Quem assistiu Araguaia pôde conhecer um pouco sobre a história da região, de uma cultura indígena, ficção ou não, discutiu-se crenças, maldições, beneplácitos, tudo….

Pode também conhecer a história de personagens fortes interpretados por ícones de nossa dramaturgia. Eu fico imaginando como deve ter sido a experiência dos novos atores ao trabalharem ao lado de Juca de Oliveira (Gabriel), Laura Cardoso (Mariquita), Eva Wilma (Beatriz),  Lima Duarte (Max Martinez), Julia Lemmertz (Amélia), Otávio Augusto (Pe. Emilio), entre outros.

Quanta aula de interpretação, de monólogos (lindos, cheios de oratória, expressão facial, expressão corporal, força de dicção, entonação certa, no momento certo) e também de interatividade com os outros atores. Cheia de cenas externas, essa novela soube cativar o público com os romances interessantes entre os personagens coadjuvantes e com o triângulo amoroso que manteve o expectador preso durante todo o tempo, sem saber ao certo com quem iria ficar Solano (Murilo Rosa).

Uma coisa boa aconteceu com os diretores desta novela. Não houveram 10 casamentos no final (como em toda novela), não houveram personagens de última hora (só dois), para aqueles personagens que não deveriam ficar sozinhos. Os personagens entrantes, que sabiamos lá estavam para ocupar um espaço no final ao lado de um ou uma outra personagem, foram entrando aos poucos, fazendo parte da história, sem chocar o telespectador, sem dar a sensação do famoso TAPA BURACO.

Agora, as interpretações de Lima Duarte e Laura Cardoso durante os últimos capítulos da novela foram algo de espcial.

Os discursos de Lima Duarte deveriam ser gravados e passados, repetidos e repetidos em faculdades de artes cênicas. Um primor, uma aula, uma dádiva que nos foi dada, no que se refere ao ítem INTERPRETAÇÃO e trabalho do personagem. Fantástico como esse ator consegue ser diferente  de seus outros personagens, mesmo repetindo algumas vezes a fala rápida e voz fina de um personagem seu do passado.

Laura Cardoso. Sem o mesmo impeto das cenas do Lima Duarte, devido ao perfil do seu personagem, demonstrou como manter as características da Vó Mariquita, do começo ao fim da novela. Soube demonstrar na envergadura de seu tronco, no brilho dos seus olhos, no tremor da sua voz, a passagem do tempo e o inicio da sua doença, Alzheimer, sem cair no piegas. Fez um trabalho lindo, cheio de ternura e de emoção, e nos fez pensar naqueles entes queridos que tivemos e que se foram vítimas da mesma doença.

Uma menção honrosa a Juca de Oliveira, que foi pouco aproveitado pelo seu alto potencial, na interpretação de Gabriel. Poderiam ter trabalhado mais a sua capacidade de interpretação, oratória e expressão, únicas no teatro brasileiro.

Essa novela contou também a história de um circo, que quando existe, mesmo com as agrurias do destino, a equipe circence fará de tudo para faze-lo retornar à ativa. Pois vida de circo é vida de alegria, é função de viajante, é função de doutores da esperança e dos sonhos de crianças e adultos.

Parabéns a todos que fizeram Araguaia. Todos foram excelentes, Murilo, Cleo, Milena, Raphael, Angelo, Suzana, Emilio, Tânia, enfim, a todos, pelo excelente trabalho.

Agora, saudades vai deixar a Aspásia (Flávia Guedes). Que espetáculo. Começou pequena na trama, foi ocupando o seu espaço, foi trabalhando os seus jargões, foi criando seus movimentos e trejeitos, até chegar ao ponto de ganhar o seu casamento, tanto que cresceu o seu personagem na história. Quando ela entrava em cena, era uma alegria só.

PARABÉNS A TODOS…. vocês já estão deixando saudades.

Purcino

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