Eu-quipe ou E-quipe?

Nas  últimas duas semanas um dos temas mais comentados em rodas de amigos, fanáticos por futebol, cronistas, críticos de futebol, sociólogos, psicólogos, entre outras profissões ou especialistas, foram as atitudes do jogador de futebol Neymar em relação à sua equipe, aos seus superiores e aos seus seguidores.

Muitos falaram somente sobre suas atitudes desrespeitosas para com o treinador e o capitão de sua equipe porque não foi autorizado a cobrar um penalty durante uma partida de futebol. Ora, esse fato foi a gota que transbordou a água do copo. Tudo começou lá atras, muito antes, em Março deste ano.

Vamos considerar aqui o Santos como uma empresa e o Neymar como um produto desta empresa. Assim como ele, vamos considerar todos os jogadores como um produto e também como integrantes de uma equipe de trabalho. E aí é que se encontra o problema maior. Saber diferenciar quando se é produto e quando se é profissional, trabalhador é o fator mais difícil para um ser humano.

Muitos de nós já nos vimos nessa situação. Eu mesmo, ao ser transferido de país a país, sempre fui recomendado aos diretores locais como um produto que resolveria seus problemas de treinamento e aculturamento dos funcionários sobre a visão, missão e foco da empresa no mercado global. E era vendido também como um profissional agregador, que sabe trabalhar em equipe, coordenação de trabalhos, etc.

A empresa Santos F.C. trabalhou no desenvolvimento de seu produto de futuro chamado Neymar, desde os seus 15 anos de idade, ou seja, por dois anos e meio, até o seu lançamento no mercado. Trabalhou também o produto P.H.Ganso e o outro produto chamado André. Todos cuidados com muito carinho, atenção, suporte familiar, pagamentos em dia, trabalho de mídia antes, durante e posterior ao seu lançamento.

O êxito foi tal que em menos de seis meses após o seu lançamento definitivo no mercado, passado o período de provas e testes durante jogos em que entravam aos poucos no time principal, os três já eram exigidos tanto no time titular como na seleção principal do Brasil. Chegaram (Neymar e Ganso) a serem exigidos na seleção para a disputa da Copa do Mundo na África.

SUCESSO TOTAL no lançamento do produto no mercado nacional e internacional.

Quando de sua estréia no mercado internacional, depois da primeira convocação para a seleção nacional, vitrine maior para um produto chamado jogador de futebol, rápidamente surgiram convites de clubes do exterior, que chegaram a bancar o valor total da multa contratual do produto Neymar e André. O André foi vendido. Está seguindo sua trajetória no exterior, bem orientado e com suporte empresarial. Resultado: segue na seleção.

O primeiro, viu uma empresa interessada em seu trabalho, e a que o lançou, interessada em mantê-lo no seu quadro de funcionários, refazendo seus planos de pagamentos, bônus, premiações, etc. E o jogador, o profissional, ficou na sua empresa de origem, visando um lucro maior, como produto exposto no mercado internacional, em um medio espaço de tempo.

Todo o planejamento foi feito pensando-se somente nas bases financeiras, sendo esquecido o preparo psicológico e educacional do profissional e, por que não dizer, daqueles que o rodeiam. Não que não tenham educação, mas faltou uma assessoria dirigida ao fator comportamental devido a sua nova realidade como celebridade com ganhos astronômicos, comparando-se com outros colegas de trabalho na sua propria profissão, sem falar na sua tenra idade.

Resultado de tudo isso:

  1. Desrespeito aos colegas depois de certas jogadas terem sido interrompidas;
  2. Não aceitar a marcação mais cerrada de seus oponentes;
  3. Criar situações irreais tentando jogar a torcida e a arbitragem contra os adversários;
  4. Desrespeito aos superiores da equipe (capitão), à equipe (jogadores) e à empresa (treinador);

Faltou então o preparo emocional, o preparo dos assessores, e o preparo do profissional, como elemento de equipe.

As consequências dos atos vieram a galope, em três dias:

  1. Imagem do produto arranhada internacionalmente;
  2. Imagem da empresa Santos na mídia;
  3. Imagem dos superiores na mídia (tiveram que dar muitas explicações e expor-se na mídia);
  4. Não foi selecionado para jogar em outubro na seleção, na Europa (ruím para a sua imagem como produto);
  5. Tema (negativo) de capa na N.Y.Times;

Quem vai pagar todo esse prejuízo? Alguém tem que pagar essa conta. E aí eu me pergunto: Vale a pena ser tão protecionista ou bairrista ou deixar-se levar pela emoção clubística ao nos depararmos com um caso como esse?

A resposta é não. Infelizmente.

Estamos falando de um produto. Estamos falando de um profissional internacional. Estamos falando de uma empresa. Todos tem que ter seu lucro. E isso só chegará se houver PLANEJAMENTO e TRABALHO EM E-QUIPE e não em EU-Neymar-QUIPE.

Cuidem desse produto com carinho, pois ele é um diamante que precisa ser lapidado. E alguém tem que fazer isso logo.

Vejam os exemplos de quem seguiu adiante:

  • Pelé (vejam o que é hoje, e começou com a mesma idade);
  • Pato (faz sucesso no exterior e começou com 17 anos);
  • Felipe Coutinho (faz sucesso no exterior e começou com 16 anos);
  • Dodô (no Corinthians, e com pré-contrato com clube no exterior, começou com 16 anos);
  • André (continua na seleção e já é respeitado no seu clube no exterior);
  • Jô (jogando no exterior, respeitado no seu clube, e fazendo sucesso suficiente para manter-se no mercado).

Por que será que só o Neymar necessita de carinho, cuidados e merece a desculpa batida e sem fundamento:  Ora, ele é só uma criança ou um jovem de 17 anos!!!  Meus leitores, isso é balela. A maturidade independe da idade. Depende do cuidado e da preparação que se recebe em casa, no trabalho, na escola, e na sua própria empresa.

Por isso que para uma perfeita união de EQUIPE é preciso de TREINAMENTO CONTINUADO!!! e Corporativo.

Amanhã tem mais

Purcino

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